Cipriano Souza é um artista plástico, nascido no arraial de São Domingos-BA. A sua arte colore o sertão em que nasceu e narra causos . Possui obras na galeria Arte Aplicada e escritório de arte Ricardo Cardoso em Sao Paulo-SP ,
quarta-feira, 26 de março de 2014
sexta-feira, 7 de março de 2014
Doido
Caros amigos, meu trabalho mais uma vez atravessa o Atlântico.
Gente meio doida, doida e doido completo é com essa gente que eu dou certo.
Outra de doido
Lá pelos anos 90, numa pindaíba arretada.
Reciclava até papel higiênico.
Então endoidei, e resolvi fazer obra de arte com tudo que eu via pela frente.
Tubo de pasta de dente, frasco de remédio, arame, madeira e prego.
Tintas de todas as marcas e utilidades.
Lata de batata frita, dente de cachorro doido, chocalho de cascavel, pregas de uma xana perdida numa noite.
Juntei tudo isso e muito mais, e construí alguns quadros para expor no bar da Lélia
Só via fumaça subir, galinha e costela assavam, cachaça, cerveja.
Papagaio era o mais zuadento, corintiano roxo.
Moreno era colecionador e me explorava muito, eita palmeirense doido.
Gilsão era quase um lenhador, burro inchado era o churrasqueiro com o tempero mais gostoso de São Paulo.
Exposição no bar da Lélia era uma festa!
Resolvi fazer um leilão, fui logo subindo nas mesas, para anunciar um quadro.
Comecei de 10 reais e foi subindo para 60.
No canto do balcão, tinha um doido com uma tatuagem da cabeça aos pés, todo melado de tinta.
E ele olhava para mim, eu já todo desconfiado, abriu o bocão e vi que era refinado.
Desses que trabalham nas coisas de publicidade, peguntou quanto eram todos os quadros.
Aí que eu fiquei mais desconfiado, falei dá tanto:
-É pouco, bote mais valor em cima disto.
Fiquei desajeitado, pulei de cima da mesa, tomei mais uma canjibrina e ele foi logo arrastando o talão de cheque.
A Lélia já de prontidão com a caneta na mão, fez o cheque e prometeu voltar na próxima semana para retirar.
Hoje eu sinto saudades desses rebentos, que não dão notícias , nem uma cartinha mandaram.
Gente meio doida, doida e doido completo é com essa gente que eu dou certo.
Outra de doido
Lá pelos anos 90, numa pindaíba arretada.
Reciclava até papel higiênico.
Então endoidei, e resolvi fazer obra de arte com tudo que eu via pela frente.
Tubo de pasta de dente, frasco de remédio, arame, madeira e prego.
Tintas de todas as marcas e utilidades.
Lata de batata frita, dente de cachorro doido, chocalho de cascavel, pregas de uma xana perdida numa noite.
Juntei tudo isso e muito mais, e construí alguns quadros para expor no bar da Lélia
Só via fumaça subir, galinha e costela assavam, cachaça, cerveja.
Papagaio era o mais zuadento, corintiano roxo.
Moreno era colecionador e me explorava muito, eita palmeirense doido.
Gilsão era quase um lenhador, burro inchado era o churrasqueiro com o tempero mais gostoso de São Paulo.
Exposição no bar da Lélia era uma festa!
Resolvi fazer um leilão, fui logo subindo nas mesas, para anunciar um quadro.
Comecei de 10 reais e foi subindo para 60.
No canto do balcão, tinha um doido com uma tatuagem da cabeça aos pés, todo melado de tinta.
E ele olhava para mim, eu já todo desconfiado, abriu o bocão e vi que era refinado.
Desses que trabalham nas coisas de publicidade, peguntou quanto eram todos os quadros.
Aí que eu fiquei mais desconfiado, falei dá tanto:
-É pouco, bote mais valor em cima disto.
Fiquei desajeitado, pulei de cima da mesa, tomei mais uma canjibrina e ele foi logo arrastando o talão de cheque.
A Lélia já de prontidão com a caneta na mão, fez o cheque e prometeu voltar na próxima semana para retirar.
Hoje eu sinto saudades desses rebentos, que não dão notícias , nem uma cartinha mandaram.
Saudades deste doido.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Amigo de infância
Cleriston, menino sabido da cidade e o tempo todo queria me enganar.
Suco de maracujá, pão com manteiga, geladinho e até banana real.
Mas o relógio era caro e de estimação.
Minha irmã trabalhadeira me presenteio.
Todas as ofertas que Cleriston me oferecia, eu dispensava.
Teve um dia que eu não resisti a oferta.
Vivou, virou, e não matou ninguém.
Aí numa segunda-feira linda, brilhante de sol, vem Cleriston com
uma proposta.
E esta eu não resisti, desta virada ele conseguiu umas latinhas de tinta, e eu fiquei encantado com as cores.
E não teve conversa, já tirei o relógio do pulso, e não via a hora de voltar para casa.
Chegando em casa, tirei a farda da escola e comecei a pintar no quintal.
Peguei as tintas e inventei pincel com pena de galinha e rabo da égua.
Pintei as pedras do terreiro, construí um mundo da viagem que eu fazia até a escola.
Aí eu percebi que aquilo era minha escola.
Não esqueço da professora Livramento, que me ajudou a passar para a quinta série.
Escrevi frases de amor cristão, LBV, imitando a paisagem e as escritas que eu via na estrada, neste percurso de 18Km, do 58 a Mané Roque.
A coisa foi evoluindo, comecei a pintar o passeio de casa, frases em venda, nome de borracharia, restaurante, propaganda de posto de combustível na BR116.
Nunca esqueço da frase que escrevi na vendinha:" Fiado só no dia 32 de fevereiro".
Aí já me senti um artista regional, pintei o restaurante de Dona Maura.
Uma paisagem bucólica, e uma frase dizia: Curta a vida, que a vida é curta.
Daí em diante até lameira de caminhão eu pintei, numa rodovia federal.
A influência era o caminhão e os caminhoneiros.
Comecei a desenhar os caminhões de todas as marcas, e os ônibus da região.
Aí, eu acreditei que seria melhor minha vida.
Aparecia gente de toda parte de noite e para lanchar no almoço.
Queriam me conhecer, pelos meus desenhos e frases.
Eles me falavam: "Você pode trabalhar em uma fabrica de caminhão, fazer desenhos e ter uma vida melhor".
E aqui estou em São Paulo. Obedeci aos conselhos, este é o meu destino.
Obrigado aos conselheiros e ao lugar que nasci.
Não me tornei engenheiro, médico, pedreiro,nem mecânico, virei um contador de histórias.
AMO SÃO PAULO!
Suco de maracujá, pão com manteiga, geladinho e até banana real.
Mas o relógio era caro e de estimação.
Minha irmã trabalhadeira me presenteio.
Todas as ofertas que Cleriston me oferecia, eu dispensava.
Teve um dia que eu não resisti a oferta.
Vivou, virou, e não matou ninguém.
Aí numa segunda-feira linda, brilhante de sol, vem Cleriston com
uma proposta.
E esta eu não resisti, desta virada ele conseguiu umas latinhas de tinta, e eu fiquei encantado com as cores.
E não teve conversa, já tirei o relógio do pulso, e não via a hora de voltar para casa.
Chegando em casa, tirei a farda da escola e comecei a pintar no quintal.
Peguei as tintas e inventei pincel com pena de galinha e rabo da égua.
Pintei as pedras do terreiro, construí um mundo da viagem que eu fazia até a escola.
Aí eu percebi que aquilo era minha escola.
Não esqueço da professora Livramento, que me ajudou a passar para a quinta série.
Escrevi frases de amor cristão, LBV, imitando a paisagem e as escritas que eu via na estrada, neste percurso de 18Km, do 58 a Mané Roque.
A coisa foi evoluindo, comecei a pintar o passeio de casa, frases em venda, nome de borracharia, restaurante, propaganda de posto de combustível na BR116.
Nunca esqueço da frase que escrevi na vendinha:" Fiado só no dia 32 de fevereiro".
Tacílio de Vita
Chico de Dona Morena
Aí já me senti um artista regional, pintei o restaurante de Dona Maura.
Uma paisagem bucólica, e uma frase dizia: Curta a vida, que a vida é curta.
Daí em diante até lameira de caminhão eu pintei, numa rodovia federal.
A influência era o caminhão e os caminhoneiros.
Comecei a desenhar os caminhões de todas as marcas, e os ônibus da região.
Aí, eu acreditei que seria melhor minha vida.
Aparecia gente de toda parte de noite e para lanchar no almoço.
Queriam me conhecer, pelos meus desenhos e frases.
Eles me falavam: "Você pode trabalhar em uma fabrica de caminhão, fazer desenhos e ter uma vida melhor".
E aqui estou em São Paulo. Obedeci aos conselhos, este é o meu destino.
Obrigado aos conselheiros e ao lugar que nasci.
Não me tornei engenheiro, médico, pedreiro,nem mecânico, virei um contador de histórias.
AMO SÃO PAULO!
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Agoniado- O cão chupando cana
Na boca da navalha, na beira do precipício, o risco é grande e o corte é profundo, e a faca tá amolada.
No corte, de novo, já virou muitos, deitou, amém.
Andando em cima do caco de vidro.
Tô mau humorado!
Cipriano Souza
e sua arte tropical
“viva o povo brasileiro”[1]
Conheci o Cipriano Souza já em São Paulo, junto a outros
artistas reunidos e a mim apresentados pelo também baiano Waldomiro de Deus.
Fomos curtir a Festa do Boi no Morro do Querosene, onde Cipriano mora, ama e
trabalha.
Cipriano arrisca várias técnicas, mas é na pintura que sua
expressão se consolida. Para quem nasceu no sertão baiano, às portas do século
XXI, não haveria sentido em limitar as mídias. Portanto, Cipriano pinta,
“borda”, “chuleia e prega botão”, toca fole e ganzá, filma, conta “causo” e
bate prego.
E, claro, dedica-se à pintura, talvez sua principal e mais
cômoda manifestação. Em
sua arte de ares tropicais se detecta os jogos da infância,
o ludo-lúdico, os modos e as maneiras de ver a vida, um sentir o mundo à la Miró, a colagem da vida e da arte se
manifestando em sintonia. Poderia
falar em “sinfonia de cores”, mas a arte de Cipriano está mais pra xaxado,
farinha e cachaça, patchwork existencial, quadrados imperfeitos, círculos
estrábicos, flores despetaladas, figuras de bichos e coisas pescados na
infância da memória.
Cipriano é isso e muitas surpresas, como baú de guardados,
do qual sempre é improvável prever o que nos reserva, principalmente se
tratando deste baiano despachado pra São Paulo em busca de aplausos e platéias,
mas que aqui encontrou amor, amigos e a liberdade
de criar, ir e vir.
7/07/2010
27/11/2013
Crítico e Curador de
Arte
APCA/ABCA/AICA
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A moça do rádio
Teve um tempo que eu consertava rádio, tv e o que mais aparecia lá na caatinga.
Uma moça me mandou seu aparelho que não funcionava.
Quando abri o rádio, encontrei uma porção de cartas de amor.
A dona ouvia o programa e mandava as cartas pelo rádio.
Não conhecia o correio.
Consertei e devolvi as cartas.
Uma moça me mandou seu aparelho que não funcionava.
Quando abri o rádio, encontrei uma porção de cartas de amor.
A dona ouvia o programa e mandava as cartas pelo rádio.
Não conhecia o correio.
Consertei e devolvi as cartas.
Se matar for inteligência
Sei que o homem é.
Mata muriçoca, mosquito, caititu, preá , crocodilo, rato, baratas e sonhos.
O cineasta 100x100cm 2014
Retrato 60x40cm 2014
Dica: exposição de
Cipriano Souza no Bar Cristal Grill (Rua Prof. Arthur Ramos, 551, Jd.
Paulistano, São Paulo, SP:
Cipriano Souza
Intensidades
A palavra intensidade parece apontar ótimos caminhos para mergulhar numa interpretação do trabalho visual de Cipriano Souza. Sua obra tem na cor uma característica primordial, mas ela não se esgota em si mesma como recurso plástico. A forma de dividir as áreas da pintura, por exemplo, indica para um entendimento próprio do sentido da arte.
Criar, para o artista baiano, é visceral. Não se trata de mais uma atividade humana, mas sim daquela mobilização primeira, inata, que o leva a construir narrativas continuamente, seja pelas imagens, seja pelas palavras em sua conversa encantadora. Cipriano surge como um contador de histórias em que não há fronteiras entre o real e o imaginado.
O impulso que o motiva é de manter a mente em andamento. Provavelmente isso o leva a estar sempre disposto a oferecer ao público novas dimensões de sua própria obra, num processo de busca constante. Pequenos desenhos ou telas de maiores proporções estão nessa mesma dinâmica de não estagnar como pessoa e como artista.
A intensidade do universo de Cipriano Souza se dá num permanente sentir o mundo e devolvê-lo pelas tintas ao nosso olhar. Trata-se de um exercício habitual de combate a qualquer tipo de acomodação. O pensar e o fazer são os pilares de uma existência ergue estruturas visuais densas e alegres.
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
Cipriano Souza
Intensidades
A palavra intensidade parece apontar ótimos caminhos para mergulhar numa interpretação do trabalho visual de Cipriano Souza. Sua obra tem na cor uma característica primordial, mas ela não se esgota em si mesma como recurso plástico. A forma de dividir as áreas da pintura, por exemplo, indica para um entendimento próprio do sentido da arte.
Criar, para o artista baiano, é visceral. Não se trata de mais uma atividade humana, mas sim daquela mobilização primeira, inata, que o leva a construir narrativas continuamente, seja pelas imagens, seja pelas palavras em sua conversa encantadora. Cipriano surge como um contador de histórias em que não há fronteiras entre o real e o imaginado.
O impulso que o motiva é de manter a mente em andamento. Provavelmente isso o leva a estar sempre disposto a oferecer ao público novas dimensões de sua própria obra, num processo de busca constante. Pequenos desenhos ou telas de maiores proporções estão nessa mesma dinâmica de não estagnar como pessoa e como artista.
A intensidade do universo de Cipriano Souza se dá num permanente sentir o mundo e devolvê-lo pelas tintas ao nosso olhar. Trata-se de um exercício habitual de combate a qualquer tipo de acomodação. O pensar e o fazer são os pilares de uma existência ergue estruturas visuais densas e alegres.
Oscar D’Ambrosio integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil). É doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie e mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Unesp.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Novas
Novidades pela frente e o passado que transforma.
A exposição no Espaço Cultural Cristal fica até o carnaval em cartaz.
Este final de semana participei da exposição Entrepanos, da querida Anna Pana.
Adorei!
O parque do Ibirapuera estava mais azul, com o sol.
Aniversário de São Paulo, foi uma festa!
A gente pode ser pobre
Mas agente é rico
A gente pode não saber de nada
Mas agente sabe muito!
A exposição no Espaço Cultural Cristal fica até o carnaval em cartaz.
Este final de semana participei da exposição Entrepanos, da querida Anna Pana.
Adorei!
O parque do Ibirapuera estava mais azul, com o sol.
Aniversário de São Paulo, foi uma festa!
Entende?
Compreende?
Cachai?
Compre e entre sem bater.
kkkkkkkkkkk
rsrsrsrsrs
A gente pode ser pobre
Mas agente é rico
A gente pode não saber de nada
Mas agente sabe muito!
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Gados
Não tenho fazenda nem gado
Não posso criar gado
No meu quarto pequeno que só cabe um
Mas tenho um criatório
De vida microscópica
E eu sou um Deus tão grande
Que não os enxergo
E acho que ele nem me viram
Não posso criar gado
No meu quarto pequeno que só cabe um
Mas tenho um criatório
De vida microscópica
E eu sou um Deus tão grande
Que não os enxergo
E acho que ele nem me viram
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